Unindo o inútil ao desagradável
Teminha indigesto.
Sobre o que as pessoas fazem de curioso durante aquele
momento mais íntimo com ela mesma, sentada no trono e reinando soberana.
Vou começar pelo meu tio de Ribeirão Preto. É fácil
identificar quando ele está prestes a visitar o dito cujo. Fica desesperado
procurando um gibi, preferência pelo Tio Patinhas.
Já um amigo meu, cujo nome não revelo nem sob tortura, adora
fazer contas. Inclusive leva papel, caneta e calculadora. Está pensando, me
disse, em comprar uma mesinha portátil para montar à frente e facilitar o
serviço.
Já me disseram, não lembro quem foi, que a prima não visita
o ambiente sem levar um álbum de fotografias antigas, para relembrar.
Não é novidade que muitas pessoas utilizam o referido momento
para se por em dia com as informações. Carregam jornais e revistas,
aproveitando o tempo para a devida atualização. Os mais moderninhos, ainda não
tive notícias, levam o notebook para se conectar à internet e viajar sossegado
por mares nunca dantes navegados.
Há também as realizações impublicáveis, esta eu deixo ao
encargo da imaginação fértil de cada um dos leitores, mas que dá uma vontade de
relacionar isto dá. Poupando o escracho, mas sem ficar a dever nada, não
poderia deixar de citar a minha bizarra ocupação no instante profundo e sereno
do banheiro:
Aproveitar o reflexo da luz do teto para, com as mãos, ficar
criando sombras com figuras de animais e monstros no piso. E antes que queira
rir disto e me ridicularizar, vai querer dizer que fica ali impávido, sem
produzir qualquer reação, única e exclusivamente aguardando o exato momento M e
só?
Conta vai.
(publicado originalmente no Blog da Uol, em 12-9-2007)

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