Todo mundo quer ter ligação com o defunto.
Quem me conhece já ouviu esta minha “teoria macabra”. Quem
não conhece, confira e diga se não tenho razão.
Toda vez que morre uma pessoa, independente das questões
comuns que se sucedem ao acontecimento drástico, é possível observar A
NECESSIDADE QUE AS PESSOAS TÊM DE CRIAR UM ELO COM O DEFUNTO OU A DEFUNTA.
Segue alguns modelos mais comuns de ligação.
1. Era meu parente distante.
2. A filha dele estudava com a minha filha.
3. Passei por ele ontem na rua.
4. Era vizinho do meu cunhado.
5. A irmã da minha cunhada era professora de história do
filho dele.
6. Eu passei na hora do acidente. Tinha acabado de
acontecer.
7. Nós fazíamos aniversário no mesmo dia.
8. Era da mesma cidade que eu.
9. Estudamos juntos o ensino fundamental.
10. Tinha um carro igualzinho ao meu.
11. Falei com ele ontem.
12. Sonhei com ele esta semana.
13. Jogava futebol de salão toda quarta com a gente.
14. Torcia pro mesmo time que eu.
15. Trabalhava na mesma empresa que eu.
16. Era filho de um colega de trabalho.
17. A minha vizinha estava passando por lá na hora.
18. Ficamos internados no mesmo quarto do hospital.
19. Fizemos balé na mesma escola.
20. Fazíamos natação juntos.
21. Morava na minha rua.
22. Íamos fazer vestibular para o mesmo curso.
23. Era da minha igreja.
24. Fizemos 1ª comunhão juntos.
25. Fomos juntos no último retiro da Igreja.
26.................................................................(espaço
reservado para o seu elo).
A verdade é que, se alguém faleceu, ninguém quer ficar de
fora. Vasculha no “âmbito das coincidências” para ter ali um elo e, em
consequência, dar vazão ao momento de compaixão e fraternidade.
Ontem faleceram muitas crianças famintas na África. Eram
criancinhas como nós!
(publicado originalmente no Blog da Uol, em 30/4/2007)

