terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

No banheiro


Unindo o inútil ao desagradável
 

Teminha indigesto.

Sobre o que as pessoas fazem de curioso durante aquele momento mais íntimo com ela mesma, sentada no trono e reinando soberana.

Vou começar pelo meu tio de Ribeirão Preto. É fácil identificar quando ele está prestes a visitar o dito cujo. Fica desesperado procurando um gibi, preferência pelo Tio Patinhas.

Já um amigo meu, cujo nome não revelo nem sob tortura, adora fazer contas. Inclusive leva papel, caneta e calculadora. Está pensando, me disse, em comprar uma mesinha portátil para montar à frente e facilitar o serviço.

Já me disseram, não lembro quem foi, que a prima não visita o ambiente sem levar um álbum de fotografias antigas, para relembrar.

Não é novidade que muitas pessoas utilizam o referido momento para se por em dia com as informações. Carregam jornais e revistas, aproveitando o tempo para a devida atualização. Os mais moderninhos, ainda não tive notícias, levam o notebook para se conectar à internet e viajar sossegado por mares nunca dantes navegados.

Há também as realizações impublicáveis, esta eu deixo ao encargo da imaginação fértil de cada um dos leitores, mas que dá uma vontade de relacionar isto dá. Poupando o escracho, mas sem ficar a dever nada, não poderia deixar de citar a minha bizarra ocupação no instante profundo e sereno do banheiro:

Aproveitar o reflexo da luz do teto para, com as mãos, ficar criando sombras com figuras de animais e monstros no piso. E antes que queira rir disto e me ridicularizar, vai querer dizer que fica ali impávido, sem produzir qualquer reação, única e exclusivamente aguardando o exato momento M e só?

Conta vai.
 
(publicado originalmente no Blog da Uol, em 12-9-2007)